Inteligência artificial e o novo papel do líder

Inteligência artificial e o novo papel do líder
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Realizado anualmente em São Paulo, o ERP Summit 2026 reuniu, mais uma vez, executivos e especialistas para discutir o futuro da gestão empresarial em um cenário marcado por uma transformação digital acelerada, principalmente falando de inteligência artificial. Entre os destaques da programação, a palestra de Walter Longo trouxe uma leitura direta sobre o momento atual das empresas, especialmente relevante para líderes financeiros.

Publicitário, empreendedor e um dos principais especialistas brasileiros em inovação e transformação digital, Walter Longo construiu sua carreira conectando comunicação, tecnologia e negócios. Ao longo dos anos, ocupou posições de liderança em grandes grupos e se consolidou como uma das vozes mais influentes quando o tema é adaptação empresarial em cenários de mudança acelerada.

Com foco em comportamento, tecnologia e tomada de decisão, Longo defendeu que a IA não representa apenas mais uma onda de inovação, mas uma ruptura na forma como organizações operam e competem.

“De repente, mais uma onda chega na praia da nossa vida: a inteligência artificial. Só que aí não se trata de mais uma onda, se trata de um gigantesco tsunami. Tudo que chegou até hoje antes da IA veio com certa velocidade, mas nenhuma delas veio com essa tríade ao mesmo tempo: abrangência, impacto e velocidade. Nada que chegou até hoje veio simultaneamente com essa força”, revelou.

Ao longo da apresentação, o executivo chamou atenção para o contexto em que essa transformação acontece. Segundo ele, as empresas já operam sob pressão, com margens cada vez mais comprimidas e um nível crescente de complexidade, cenário que tende a se intensificar com a aceleração tecnológica.

Margens, eficiência e o dilema do curto prazo nas empresas

Para Longo, esse ambiente tem levado muitas lideranças a uma armadilha: a priorização excessiva do curto prazo em detrimento de decisões estruturais. “Nós vivemos um momento do mundo onde nossos negócios apresentam margens decrescentes e complexidade crescente. O resultado disso é que a gente acaba ficando mais preocupado com o fim do mês do que com o fim do mundo”, destacou.

A fala dialoga diretamente com o dia a dia de líderes financeiros pelo Brasil, que precisam equilibrar pressão por resultados imediatos com a necessidade de preparar a empresa para mudanças mais profundas. Nesse contexto, a inteligência artificial surge como uma ferramenta capaz de atuar justamente nesse ponto de tensão, ampliando a capacidade analítica, automatizando processos e aumentando a eficiência operacional.

Ao mesmo tempo, Longo reforçou que a adoção de tecnologia, por si só, não garante transformação. Segundo ele, o principal desafio das empresas está menos nas ferramentas e mais na forma como elas são incorporadas ao negócio. “A sociedade, a nossa empresa, a nossa carreira só têm evolução não quando adotamos novas ferramentas, mas quando adotamos novos comportamentos. Portanto, a grande revolução é humana, propiciada pela tecnologia”, afirmou.

A provocação é especialmente relevante para organizações que vêm investindo em sistemas de gestão e soluções financeiras, principalmente ligados à inteligência artificial. Sem mudanças em cultura, processos e mentalidade, o ganho de eficiência tende a ser limitado.

O novo papel do CFO na era da inteligência artificial

Nesse cenário, o papel do CFO também passa por uma transformação. Mais do que responsável pelo controle financeiro, o líder da área ganha protagonismo na construção de eficiência e inteligência dentro das empresas.

Durante a palestra, Longo destacou que, independentemente do setor, toda organização busca essencialmente três objetivos: tomar decisões melhores, aumentar a eficiência operacional e melhorar a relação com o cliente, frentes diretamente impactadas pela inteligência artificial.

Na prática, isso significa que a área financeira deixa de ser apenas reativa e passa a atuar de forma mais estratégica, conectando dados, tecnologia e tomada de decisão.

Essa mudança também se reflete na forma como as empresas encaram estrutura e crescimento. Em vez de expandir operações com aumento proporcional de custos, a tendência é buscar modelos mais leves e flexíveis.

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“O segredo do futuro de qualquer organização não está em ter mais, mas em ser mais leve. Nós agora podemos ter mais inteligência com menos posse, mais operação com menos estrutura, mais flexibilidade com menos carga”, revelou Longo.

A ideia de “leveza” ganha relevância em um contexto de pressão por eficiência, especialmente para empresas que lidam com gestão de despesas, controle financeiro e escalabilidade.

Outro ponto de atenção levantado por Longo foi a velocidade de adaptação. Para ele, estruturas rígidas e excesso de cautela podem se tornar um risco maior do que o próprio erro.

“Eu sei dos riscos de governança e de compliance. Mas eu garanto para vocês que hoje o grande risco é não arriscar. Em tempos de mudança, ficar preso às premissas do passado não vai nos levar adiante”, afirmou.

A fala traz uma reflexão importante sobre o equilíbrio entre controle e inovação, tema central para líderes financeiros, que precisam garantir segurança sem comprometer agilidade.

Tecnologia como meio, não como fim

Ao final, Longo também abordou a relação entre humanos e tecnologia, defendendo uma visão de complementaridade. Para ele, o diferencial competitivo não estará na substituição do trabalho humano, mas na capacidade de potencializá-lo com o uso de ferramentas.

“Nenhuma máquina vai ser melhor do que um homem ou mulher com uma máquina. Trata-se de um processo de adição. A IA não está ameaçando o emprego. É a nossa inércia diante dela que está”, afirmou.

A mensagem que fica é direta: a tecnologia continuará avançando em ritmo exponencial, reduzindo barreiras e democratizando o acesso à eficiência. Nesse cenário, vantagem competitiva não virá apenas da adoção de ferramentas, mas da capacidade de usá-las com inteligência, velocidade e propósito.

Para líderes de mercado isso representa uma mudança definitiva de postura. O futuro não será definido por quem controla melhor o passado, mas por quem consegue redesenhar o presente com mais agilidade, menos peso e mais clareza de decisão.

A lição que fica, segundo Longo, não é complexa, mas pode ser desafiadora para muitos. Não basta acompanhar a transformação: será preciso liderá-la!

Imagem: PagCorp

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