O fator humano como estratégia na era da IA

O fator humano como estratégia na era da tecnologia
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Realizado anualmente em Austin, no Texas, o SXSW se consolidou como um dos principais encontros globais de inovação, tecnologia, negócios e cultura. A cada edição, o evento reúne líderes empresariais, pesquisadores, criadores e executivos de diferentes setores para discutir tendências que devem moldar o futuro das organizações e da sociedade. Na edição deste ano algumas das discussões mais provocativas apontaram para um tema cada vez mais estratégico: o fator humano.

Em meio a conversas sobre automação, dados e avanços tecnológicos, especialistas destacaram que as organizações também precisarão prestar mais atenção à forma como as pessoas se conectam, colaboram e encontram sentido no trabalho. Muito do pensamento já aplicado pelo PagCorp.

“A tecnologia vem para complementar o trabalho humano. Nunca abriremos mão do contato pessoal. De o cliente saber que tem uma pessoa falando com ela do outro lado. De saber que sempre um ser humano estará disponível para qualquer questão, já que prezamos por essa troca. Entendemos que o cliente também vê muito valor nisso”, revelou a sócia e co-CEO da ACG | PagCorp, Liliane Josua Czarny, em recente participação em live do Cliente SA.

E foi nesse contexto que as palestras de Jennifer Wallace, autora do livro “Mattering: The Secret to a Life of Deep Connection and Purpose” (“Importância: O segredo para uma vida de profunda conexão e propósito”, na tradução livre), e da cientista social Kasley Killam, ganharam destaque em Austin.

Ambas abordaram, sob perspectivas diferentes, como pertencimento, conexão e reconhecimento se tornaram elementos centrais para o futuro das organizações. Um debate que também dialoga diretamente com líderes empresariais e executivos financeiros responsáveis por conduzir processos de transformação dentro das empresas.

O fator humano na era da tecnologia: o que o SXSW 2026 revela para CFOs e líderes financeiros

Automação, inteligência artificial e plataformas digitais estão transformando rapidamente a forma como as empresas operam. No entanto, os dois painéis acima citados trouxeram uma reflexão importante para líderes empresariais: em meio à revolução tecnológica, o verdadeiro diferencial competitivo pode estar justamente no fator humano.

As apresentações de Jennifer Wallace e Kasley Killam apontaram para um ponto central: à medida que a tecnologia avança, cresce também a necessidade de conexão, pertencimento e reconhecimento entre as pessoas.

Para CFOs e líderes financeiros, esse debate tem implicações diretas, especialmente em um momento em que a área financeira deixa de ser apenas um centro de controle e passa a atuar cada vez mais como um hub estratégico dentro das empresas.

O desafio da era da automação: pessoas precisam sentir que importam

Durante sua palestra, Jennifer Wallace apresentou o conceito de “mattering”, que descreve a necessidade humana de sentir que se é valorizado e que se agrega valor ao mundo ao redor.

Segundo a autora, essa é uma necessidade fundamental do comportamento humano. Quando as pessoas sentem que importam, tendem a se engajar mais, colaborar e contribuir para o ambiente ao redor. Quando o oposto acontece, surgem efeitos que vão desde desmotivação até afastamento emocional do trabalho.

No palco do SXSW, Wallace destacou que o sentimento de nostalgia tão presente atualmente pode estar ligado justamente à busca por essa sensação de pertencimento. “Acredito que o que realmente nos traz nostalgia é sentir que importamos. Ter a sensação de que somos valorizados e de que adicionamos valor à vida das pessoas ao nosso redor”, revelou.

Ela também chamou atenção para um desafio que pode se intensificar à medida que a tecnologia avança. “O maior desafio à frente não é apenas acompanhar as máquinas, mas proteger essa necessidade humana fundamental que todos temos de saber que importamos”, afirmou Jennifer Wallace.

O papel do CFO na transformação tecnológica das empresas

A digitalização ampliou o escopo de atuação da área financeira. Hoje, CFOs participam de decisões estratégicas relacionadas a investimentos em tecnologia, eficiência operacional e crescimento do negócio.

Nesse cenário, entender o impacto humano da transformação digital torna-se essencial. Se novas ferramentas aumentam produtividade e escala, elas também podem alterar a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho.

Isso significa que o CFO moderno não atua apenas como gestor de números, mas também como um agente de transformação organizacional. Alguém que ajuda a equilibrar eficiência tecnológica com sustentabilidade humana dentro das empresas.

Cultura organizacional como vantagem competitiva

Outro ponto destacado nas discussões do SXSW é o papel da cultura organizacional na performance das empresas. Cada vez mais estudos indicam que engajamento, pertencimento e reconhecimento impactam diretamente indicadores como produtividade, retenção de talentos e capacidade de inovação.

Em suas pesquisas, Wallace observou que as situações em que as pessoas mais sentem que importam não costumam estar ligadas a grandes marcos da carreira, mas a pequenos gestos cotidianos: momentos em que alguém percebe que foi visto, ouvido ou valorizado.

“Quando perguntei às pessoas sobre momentos em que sentiram que realmente importavam, elas quase nunca falavam de promoções ou grandes marcos. Elas falavam de momentos simples do dia a dia”, destacou durante a apresentação.

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Para líderes empresariais, isso reforça uma ideia importante: cultura organizacional não é apenas um tema de RH. É um ativo estratégico para o negócio.

A ascensão da saúde social nas organizações

A cientista social Kasley Killam, por sua vez, ampliou essa discussão ao apresentar o conceito de saúde social, que se soma às dimensões tradicionais de saúde física e mental.

A especialista defende que a saúde humana deve ser entendida a partir de três pilares interligados: saúde física, saúde mental e saúde social. Esta última relacionada à qualidade das conexões e relações que as pessoas mantêm ao longo da vida.

Durante sua palestra, Killam destacou que o conceito está ganhando espaço no debate global. “O que estou observando é que a saúde social está em ascensão. Ela está saindo das margens para se tornar parte do mainstream”, revelou.

Ao mesmo tempo, dados internacionais indicam que uma em cada seis pessoas no mundo afirma sentir solidão, o que reforça a importância do tema no contexto atual.

Tecnologia nas empresas precisa fortalecer as relações humanas

A tecnologia continuará sendo um dos principais motores de transformação nas organizações. Ferramentas digitais, inteligência artificial e automação já redefinem processos, modelos de negócio e formas de gestão.

No entanto, o debate no SXSW reforçou um alerta importante: garantir que essas tecnologias fortaleçam e não substituam a conexão entre as pessoas.

Killam chamou atenção para o crescimento de soluções tecnológicas desenvolvidas para simular companhia humana, como sistemas de inteligência artificial voltados à interação social: “O sinal vermelho aparece quando essas tecnologias deixam de facilitar a interação humana e passam a substituí-la”.

Para empresas, o desafio será encontrar o equilíbrio entre eficiência tecnológica e conexão humana.

O futuro das organizações será cada vez mais humano

As reflexões apresentadas no SXSW deixam uma mensagem clara para líderes empresariais: inovação tecnológica e conexão humana não são forças opostas; elas precisam caminhar juntas.

Empresas que conseguirem equilibrar automação, eficiência e cultura organizacional tendem a construir ambientes mais engajados, inovadores e sustentáveis no longo prazo.

“Trabalhamos a união do tecnológico com o humano. Temos a preocupação de manter o relacionamento entre as pessoas, mas sempre usando a tecnologia para aprimorá-lo”, lembrou Liliane Josua Czarny, sócia e co-CEO da ACG | PagCorp.

Em um cenário de transformação acelerada, CFOs e executivos que lideram a agenda de inovação dentro das organizações terão um papel cada vez mais importante nesse equilíbrio. Afinal, no centro de qualquer transformação digital, continuam estando as pessoas.

Imagem: Reprodução

Confira abaixo trecho da participação de Liliane Josua Czarny, sócia e co-CEO da ACG | PagCorp, falando sobre adoção de tecnologia, mas foco no fator humano em recente participação em live do Cliente SA.

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