Considerado um dos principais eventos de digital commerce da América Latina, o VTEX Day reúne executivos e lideranças para discutir o futuro do varejo, tecnologia e gestão. E é justamente esse tipo de conteúdo que o PagCorp busca acompanhar de perto: estar presente nos principais eventos do país para traduzir tendências em aprendizados práticos para seus clientes. Um dos painéis mais aguardados do primeiro dia do VTEX Day 2026 foi o “The Whole Story: How a Local Store Became a Global Consumer Standard”(A História ‘Completa’: Como uma Loja Local se Tornou Padrão Global de Consumo, na tradução livre), que trouxe John Mackey, cofundador e ex-CEO do Whole Foods Market, maior rede de supermercados dos EUA, e foi conduzido por Mariano Gomide, fundador e co-CEO da VTEX.
A partir da fala de Mackey, o que surge não é apenas a história de construção do Whole Foods, mas uma visão consistente sobre como empresas crescem de forma sustentável, equilibrando cultura, eficiência e estratégia.
Cultura e eficiência caminham juntas
Ao revisitar sua trajetória, Mackey reforçou que cultura organizacional não é um conceito abstrato, mas um ativo direto de performance. No centro dessa construção estão dois elementos simples e poderosos: propósito e senso de pertencimento. “As pessoas anseiam por duas coisas: propósito e amor. Quando você cria um ambiente onde elas sentem que seu trabalho faz a diferença e que a empresa realmente se importa com elas, elas não querem sair”, revelou.
Ao longo de décadas, o Whole Foods conseguiu manter níveis de retenção incomuns para o varejo. Isso não veio de políticas isoladas, mas de uma cultura construída na prática, com liderança próxima e reconhecimento constante. Mackey relembrou as visitas que fez à grande maioria das lojas da rede, ouvindo histórias de colaboradores que cresceram dentro da empresa.
“Essa é a coisa mais gratificante: ver as pessoas entrarem na empresa, crescerem, se tornarem bem-sucedidas e terem suas vidas transformadas”, afirmou, mostrando que na prática, isso se traduz em menos rotatividade, mais produtividade e maior consistência operacional, impactos diretos para qualquer área financeira.
Essa mesma lógica de disciplina aparece quando o tema é estratégia competitiva. Para Mackey, competir por preço é possível, mas exige um nível de excelência operacional difícil de sustentar. “Se você vai competir no preço, precisa ser obcecado por custos. A única maneira de vender mais barato é ter os custos de operação mais baixos possíveis”, revelou.
Empresas como Walmart e Costco, outras gigantes norte-americanas de varejo, são exemplos claros desse modelo, operando com estruturas altamente eficientes. Fora desse contexto, o controle financeiro deixa de ser apenas suporte e passa a ser peça-chave na estratégia.

Valor, tecnologia e comportamento: o novo equilíbrio
Outro ponto central da conversa foi a forma como Mackey enxerga o lucro dentro das empresas: não como ponto de partida, mas como consequência de um sistema que funciona. “O lucro é como o sangue no corpo: você precisa dele para viver, mas não vive para produzi-lo. Ele é o resultado de criar valor para os outros”, afirmou.
Essa visão ganha ainda mais relevância em um contexto de transformação acelerada no comportamento do consumidor. Como ele observou, a tecnologia mudou radicalmente a forma como as pessoas vivem e tomam decisões: “Antes, quando eu andava pelo campus, eu olhava para as pessoas. Hoje, todos olham para seus telefones”.
Esse novo cenário exige empresas mais ágeis, orientadas por dados e preparadas para mudanças constantes, ao mesmo tempo em que continuam respondendo a necessidades humanas fundamentais, como saúde, entretenimento e bem-estar.
Ao comentar a venda do Whole Foods para a Amazon, Mackey destacou como a combinação entre cultura forte e tecnologia pode acelerar resultados sem perder identidade. “A Amazon entendeu que o Whole Foods tinha uma marca valiosa. Eles não tentaram mudar isso, mas trouxeram uma perspectiva de longo prazo e tecnologia para escalar”, revelou.
Liderança e futuro: crescer resolvendo necessidades reais
Para sustentar esse equilíbrio, a liderança tem papel decisivo. Mackey defendeu que bons líderes não tentam ser completos, mas constroem times complementares. “Você precisa escolher pessoas que complementem suas fraquezas. Eu sempre tive visão e paixão, mas não era forte em operação. Então me cerquei de pessoas que eram”, afirmou.
Essa abordagem permite escalar com mais consistência e menos gargalos, um ponto crítico para empresas em crescimento.
No fim, a principal mensagem da palestra é simples e direta: negócios bem-sucedidos continuam sendo aqueles que entendem pessoas e encontram novas formas de atender suas necessidades. “Sempre haverá novas maneiras de satisfazer as necessidades humanas. É por isso que o empreendedorismo é tão importante”, finalizou Mackey.
Tecnologia, modelos e canais mudam, mas o olhar para o ser humano permanece. É por isso que para o PagCorp, acompanhar discussões como essa é parte do compromisso de transformar grandes tendências em aprendizados aplicáveis, ajudando empresas a evoluírem sua gestão e tomarem decisões cada vez mais estratégicas.
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Imagens: PagCorp





